DESCENDO A LADEIRA


Cansei de esperar,
o tempo,
passagem singular,
cansei...
Porém descansei,
pois amar
é regar com alma
o vento no tempo,
estar...
Cansei de não ser regada.
Na estrada,
caminho,
quente...
E em flores e cores,
me transformo
numa passageira,
insana, profana,
discreta, MULHER.
Mas sou ventania
que emana,
lateja
e não pode parar.
Saio,
a arte sai de mim.
Chego,
alimentada de sabores,
letras, cores...
E no verso respiro,
sinto,
poetizo a vida,
atenta,
saboreando os contornos.
Sigo desleixada, 
cabelo solto,
a nova vida.
Sem aflição vou,
cantando mar adentro
num sussurro
de palavras inquietantes
a quem lê.
Vou desligando mundo,
interiorizando espaço,
soltando tempo
de cada laço estreito.
Sem jeito, saio
como jamais fiz.
Então,
descendo a ladeira
em direção ao mar,
caminho de luz,
estou, 
suspirando...apenas.

Vanize Claussen
08/05/2014

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