segunda-feira, 24 de agosto de 2026

ANOITEÇO

No espelho,

aos contornos

dos macios envelopes,

as cartas deslizam,

transformando imagens,

como se as flores 

se abrissem numa revoada.

Os coelhos soltos,

das imagens perdidas,

observam atentos.

Apego-me aos contornos,

observando estações da vida.

Projeto-me à frente,

olhando estrelas.

O céu está nublado agora,

mas por dentro,

apenas iluminando-se.

Os faróis da rua a frente,

deslizam pelo nevoeiro

para contarem histórias.

Anoitece

nos caminhos dos humanos.

A constelação

em cada transeunte,

nos carros ou a pé,

são verdadeiras.

O pote está cheio

e posso sentir o perfume

expandindo ao redor.

Entrepidamente,

espero o tempo.

O mover-se está aqui,

dentro de remotas imagens,

nas antigas experimentações.

Encanto-me 

por conseguir ver.

Percebo-me

por estar aqui.

E nas afinaladas formas,

dos desenhos discretos,

forjo a essência de existir.

Minha sensibilidade retorna,

num encontro sutil.

Volto a perceber,

na simplicidade,

 a emoção da vida,

não como menina,

como mulher madura.

Assim anoiteço,

olhando o tecido da vida.


Vanize Claussen

24/08/2026



MOVIMENTO

 Aos anseios de meu corpo,

brisa.

Aos anseios de minha alma,

calor.

Como num mover-se

de sacolas ao vento, 

vou debulhando-me

nas esteiras estendidas.

Vou sacudindo o pó

dos meus ombros

e pernas.

Meu corpo,

limpando-se,

vertendo-se

a margem do riacho,

onde canta 

o passarinho azulado,

dentre as folhas

do fedegoso.

A névoa 

vai trazendo o frio,

e o corpo,

centelha,

reflete silêncio.

Já não aqueço,

porém não esfrio,

reflito o vazio de ser

nas intercessões desse tempo,

nesse templo corpo/alma.

Vou adestrando,

consumindo,

olhando,

recebendo,

aderindo,

colocando,

dissol...vento...

Pés descalços,

vertidos na terra molhada,

olhando a mata reluzente,

na certeza de voltar.

As mãos respiram,

jogadas ao alto,

como pétalas,

numa dança infinita.

Sou semente

e transbordo reluzente,

feito borboleta colorida

saido de seu casulo.

Agora o tempo chegou!

Sigo o caminho 

das noivas de branco,

e com margaridas 

no cabelo e mãos,

concebo o amor

que me tocou 

desde de o início.

Agora sou luz,

ilumino paisagens,

com  meus pincéis

abstratos.

Sou o ato e o fato.

Estou dentro,

Estou fora.

Aqui e ali,

faço e desfaço.

Apenas movimento

a vida.


Vanize Claussen

24/08/2026







segunda-feira, 20 de julho de 2026

DESAPEGAR

 Somos os grandes

fazedores de vida.

Somos aqueles que,

 em cada passo,

vamos mudando a direção.

Fazemos nossa história

contando verdades vividas,

e entrelaçamos momentos

em cada passo.

Estamos todos conectados

ao todo,

não temos como fugir.

Podemos apenas 

nos responsabilizar 

pelas atitudes incoerentes,

padrões,

dentro de nós,

porque

estamos todos aprendendo

a ser um pouco melhor que antes.

Mas nada é para sempre,

estamos sempre no meio

até o momento final.

Não existe culpa,

mas utilidade,

 e manter controle sobre outros,

virou moda.

Existe uma auto culpa

quando estamos 

impedindo os outros.

Apenas respire,

sinta sua existência,

olhe para dentro

e perceba como gostaria

de ser tratado.

Tente fazer o que gostaria

que fizessem a você.

Demonstre afeto

no seu limite.

Se dê limite

para perceber e agir.

Nada é fácil,

mas no fundo de tudo

voltamos ao nada

que é tudo.

Tudo também é nada

e assim é o todo.

Vamos continuamente

buscando olhar,

perceber

e mudar os padrões

insconscientes,

trazendo a tona

uma verdade:

desapegar.


Vanize Claussen

20/07/2026




sexta-feira, 10 de julho de 2026

APENAS IDA



As facetas do tempo

transformam o espaço

num espetáculo de vida.

Vamos amarrotando os tecidos,

transformando as células,

adentrando as escápulas

do rio que corre sempre adiante.

Não existe volta,

apenas ida.

Qualquer movimento contrário

pode inibir o futuro.

Não existe volta

para tudo que vivenciamos.

Algumas semelhanças, sim.

Então,

também não existe certeza,

de nada.

Somos qual folhas verdes

quando nascemos.

E vamos crescendo,

madurando 

e com o tempo,

secando,

até cair da árvore da vida.

Alguns são arrancados

de seus galhos,

prematuramente,

outros seguem a jornada

até o final de seu tempo.

Sempre foi assim

e sempre será.

Não existe a volta

de nenhum momento.

Então: apenas 

seguir em frente.

Lembrando que:

podemos estar atentos

e deixar sempre 

desabrochar flores

em nossos galhos.

Assim,

olhar atrás,

se transforma

em pura experiência.

Somos apenas ida.


Vanize Claussen

10/07/2026




quinta-feira, 25 de junho de 2026

APRENDIZES DE IA

   O tempo invertido

em linhas tênues,

vai saltando em telas,

em cachoeiras de pequenos espaços,

navegando online,

nas corredeiras desse momento mundial.

Agora somos os aprendizes de IA,

onde ela nos ensina o que não sabemos,

o que nosso cérebro não guarda.

Depois de tando estudo,

tantos diplomas,

para uma profissão,

 somos envolvidos,

sem medida,

nesse novo mundo das telas.

Então vamos nos deixando,

através de celulares 

e novas experimentações 

desse mundo internauta,

nas movediças que nos movem,

os nossos neurônios intelectuais,

descartáveis,

antes, invencíveis,

agora aprendizes

de um novo tempo 

na inteligência artificial.

Agora somos os filhos

filtrados nos datacenters

desse novo mundo globalizado.

Onde iremos parar?

Não sei e ninguém pode saber.

Vamos aguardar...


Vanize Claussen

25/06/2026



quinta-feira, 30 de abril de 2026

EXTREMIDADES

O papel em branco,

a caneta vazia,

o reflexo de uma vida,

entupida de infiltrações.

Agora,

o vento batendo

nas extremidades,

levando-me a pular,

saltar mais longe.

O momento é de solturas,

onde somos levados a entender

que nada é ao acaso.

A casa agora é dentro,

onde existe conexão.

Vou seguindo,

nas leituras diárias,

conclusões  sensatas

de um movimento interno

que nasce todos os dias,

da poeira ao topo da montanha,

vou traçando a vida,

num colorido especial.

Procuro reconhecer,

nos pequenos fulgazes

saltos,

a importância da decisão

e da permissão das coisas.

Me antevejo,

me aceno,

me escuto,

me observo

para que eu possa ir mais adiante,

nesse vai e vem,

ao extremo de mim.


Vanize Claussen

30/04/2026




quarta-feira, 5 de novembro de 2025

CORREDEIRAS DO TEMPO

Aprumo.

Embelezo a alma

com um vestido cetim,

florido.

Busco a calma do jardim,

recehado de escolhas.

Minha textura

encanta

sobressaindo as estrelas,

antes brilhantes.

Acalmo.

Nos tropeços

aprendi a andar.

Agora a brisa ecoa

nos versos,

como partículas brilhantes.

Navego o calor do sol

e me entrego a prata da lua.

Caminhante vou...

Entre as conjunções

das estradas percorridas,

firmo meu passo

nas corredeiras do tempo.

Não lamento a idade.

A construção evoca

a sabedoria interna.

Assim caminho

transbosdando certezas.


Vanize Claussen 

05/11/2025







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