No espelho,
aos contornos
dos macios envelopes,
as cartas deslizam,
transformando imagens,
como se as flores
se abrissem numa revoada.
Os coelhos soltos,
das imagens perdidas,
observam atentos.
Apego-me aos contornos,
observando estações da vida.
Projeto-me à frente,
olhando estrelas.
O céu está nublado agora,
mas por dentro,
apenas iluminando-se.
Os faróis da rua a frente,
deslizam pelo nevoeiro
para contarem histórias.
Anoitece
nos caminhos dos humanos.
A constelação
em cada transeunte,
nos carros ou a pé,
são verdadeiras.
O pote está cheio
e posso sentir o perfume
expandindo ao redor.
Entrepidamente,
espero o tempo.
O mover-se está aqui,
dentro de remotas imagens,
nas antigas experimentações.
Encanto-me
por conseguir ver.
Percebo-me
por estar aqui.
E nas afinaladas formas,
dos desenhos discretos,
forjo a essência de existir.
Minha sensibilidade retorna,
num encontro sutil.
Volto a perceber,
na simplicidade,
a emoção da vida,
não como menina,
como mulher madura.
Assim anoiteço,
olhando o tecido da vida.
Vanize Claussen
24/08/2026




