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Mostrando postagens de Junho, 2015

ASAS

O barco está na margem,  onde a claridade se instalou em brisa leve. O dia caminha encantos jamais experimentados antes. São os feixes do horizonte que vão se abrindo em névoa  prateada e dissolvendo  os murmúrios inquietos da noite. Os passos úmidos desenlaçam  as corredeiras e solfejam  inquietos andarilhos  pela manhã de inverno,  entoando aquecidos  dentro de uma espessa bota preta.  Caminham em direção a grande queda da cachoeira, onde se encontram poucos turistas  e ninguém ao menos percebe aquele  ser inquieto que caminha apressadamente. O dia ainda rompe irritadiço  pelo pulsar do horizonte que lhe atrela,  mas levemente o sol  vai entoando seu espetáculo para todos. As grades que estão bloqueando, apenas deslisam pelo vácuo interno. as asas se abrem e o voo acontece.
Vanize Claussen 30/06/2015

APENAS FLOR

Estou à deriva,
desencadeando latas vazias,
e abrindo espaço em mim.
Sou configuração certa,
descartando colheitas erradas,
apenas estou seguindo o rumo
de preparação do amor.
Ah! O amor,
que tantos querem viver,
e tantos dissolvem ao ter!
O amor bendito,
o amor escrito pelas estrelas,
na alma dos sensíveis.
Quanta sedução, alguns!
Quanta distração, outros!
Mas a destreza de olhar,
na eternidade alma de ser,
faz-me abrir as entranhas
do caminho interior.
Sinto-me afagada,
lavada, revestida,
situada na luz
da essência de ser,
apenas flor.


Vanize Claussen
27/ 06/2015