sexta-feira, 27 de junho de 2014

A CAMPAINHA

Esgotei-me de incertezas,
derramei as rosas no jardim
onde a alma canta a passagem
do presente de estar aqui,
viva.
Sorrateiramente vou deixando
e o fluir intensifica dentro,
nas tramelas mais fechadas,
dissolvo o canto
e a voz embala o vento
de solturas sem fim.
Importam-me as rosas,
sim, as rosas prometidas
e seu perfume matinal,
onde o encanto estonteia
de tão sutil espetáculo!
Deixo-me sentir a grama,
visto-me de seu sabor
percebendo sua textura
na gravura interna
de minha doce vida terrena.
Sensação de paz
naturalmente,
dentro,
naturalmente ao natural
de minha essência
de querer amor sem fim.
Mas o vento chega forte
debulhando-me,
qual milho em mãos espertas.
Mesmo assim
Eu canto, encanto
sorvendo o que o tempo,
de vida,
me trouxe:
Aprendizado, aprendizado,
aprendizado.
A campainha tocou,
nesse breve instante,
eu acordei.

Vanize Claussen
27/06/2014




SABOR DE NÓS DOIS

Seus dedos discretos,
olham-me,
serenos,
entrelaçados em mim.
São pedaços repartidos
de essência plumificada,
como anjo
em minha vida.
Derreto-me
aos teus lábios de delícias,
num beijo
que acaricia-me inteira,
transportando-me,
em pensamento,
a lugares, 
nunca antes,
visitados visivelmente.
Somos feitos um do outro,
numa brisa de sabores
que emitem sons,
internos - externos,
de nós dois.
A velocidade do tempo,
na distância dos atos,
envia-me a meditação,
como um sol de amor.
E nesse vapor de luz,
percebo-me inteira,
perfeita rosa-mulher,
saborosa dentro e fora
para frutificar o amor
que nos pertence,
mesmo antes,
de estarmos aqui vivos.
Embalo-me de tua voz,
que esquenta meus ouvidos
de calor suado do amor.
E vagando pelo quarto,
vou levando perfume,
vou contando história
e encantando seu desejo
de me querer mais e mais...
E assim ficamos de amores
enrugados na disforme leitura
do tempo de estar junto,
no sempre da vida efêmera.

Vanize Claussen


27/06/2014

quarta-feira, 25 de junho de 2014

FASCÍNIO

Dança quente , meu amor,
que “o amor não serve frio”!
Vem “quentar” minha saudade,
de beleza e verdade,
transformando esse tempo
em qualidade!
Dança, dança, meu amor,
Na ligação da alma, vem...
me acalma,
no pulsar de teu calor!
Vem dançar em mim
pra eu dançar em ti
aninhada em tuas cores,
doces flores de jasmim!
Perfuma-me,
semeia-me,
encanta-me
de teus amores falantes
na passagem das conversas!
Vem com pressa!
Verso em verso,
em rima e prosa
e sorteia-me tua musa,
tua diva, tua rosa
para debulhar-me a ti,
estonteante e charmosa.
Toca-me,
perpassa-me,
navega-me,
transforma-me
para que eu
te toque,
perpasse,
navegue em ti
e possa transformar-te
em puro amor de alma,
que junto somos!
Cantante destino
aguardando musical
em nossas membranas dançarinas...
Tudo isso me fascina, meu amor!

Vanize Claussen

25/06/2014


domingo, 8 de junho de 2014

O TEMPO

O tempo
é passageiro insano
ao nosso corpo.
Ecoa verdades,
dissolve mentiras,
transforma e soluciona
através da maturidade.
Não aceita indecisões
e reage a covardias,
interage ao amor.
O tempo, profano,
inseto do físico
derruba horizontes,
mostram rugas da idade.
Fere a quem não quer,
envelhece a todos,
mas continua jovem.
Ajeita e tranquiliza
a alma grande de sutilezas.
Fenômeno igual não há
que o tempo não decifre.
Amores, guerra,
intrigas, queixas, ciúmes
e a tal verdade.
As horas minimiza,
a beleza externa,
trazendo sentido,
profundo, de vida.
E na morte deixa saudades
de todos que amamos.
Assim é o tempo, aqui.

Vanize Claussen
08/06/2014



domingo, 1 de junho de 2014

O CIRCO


No pulsar das andanças da vida,
muitos ventos venci,
sorrateiramente, olhei a estrada,
ao longe de perto,
observei uma tenda.
Risos, gargalhadas, aplausos,
gritaria e muita alegria.
Rapidamente fui contagiada,
lentamente adentrando
e observando o picadeiro
envolvi-me pelo lugar,
encantado.
Sentei-me na arquibancada
de madeira rústica,
no meio de pessoas felizes,
mas eu não via nada,
apenas um picadeiro vazio.
As luzes se apagaram...
Como num passe de mágica
um canhão de luz
trouxe à tona sapatos coloridos
e risos enigmáticos
nos olhos de cada criança,
os quais me surpreendiam ludicamente...
fizeram-me ver calças coloridas,
bolas de todas as cores
começaram a subir
e o palhaço, segurando o suspensório
caminhava com seus passos largos
dando cambalhotas, fazendo caretas,
transformando todos em crianças,
retirando sonho de seus bolsos.
E quando percebi
estava soltando uma bela gargalhada,
e a magia do circo invadiu-me.

Vanize Claussen

30/05/2014

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