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Mostrando postagens de Outubro, 2015

A VIAJANTE

Breve, o silêncio que me aporta, onde os trilhos, intactos, começarão a girar. A viagem começa, agora, de dentro para fora, sob as rodas, vagueantes de luz, do trem. São centelhas, expandidas, brilhantes a faiscar no giro. A festa começa, o céu acompanha, há leveza em seu brilho. As carretilhas do tempo já rememoram infância, tempo de não voltar, apenas saudade. A idade recupera a cor das lembranças, angariando certezas sem juízo, apenas deixar viver. O instante aparelha, aproxima e deixa ferver, interior de arte. A rotina sumiu, soterrou-se, e o algoz é agora seu libertador. Os cárceres, para trás. A viajante, apenas observa, das orelhas do trem, os vaga-lumes. Então, os contornos, corpo sedento, alma alerta, abrem-se na fulgaz parceria de seguir, apenas ir, sem destino, acontecendo agora. A hora, no relógio paralisado, não voou, apenas ficou parado, enquanto ela seguia seu destino de pérolas.
Vanize Claussen 15/10/2015

CURA, EU ACREDITO

Bem, eu acredito em curas, as quais serão eternizadas quando apreendemos mentalmente e no plano psicológico onde está o ponto de erro de nossa parte para que encontremos o nosso verdadeiro caminhar. 
Sim, digo, um caminhar mais deslumbrante que está de acordo com o que somos , temos e podemos realizar.
Também precisamos ter foco nos percalços da vida que intimidam encontros que sejam para nosso aprendizado, muitas vezes cruéis e outras vezes com a leveza de uma pena de pássaro que se soltou e fluiu ao vento.
Quando percebemos, ao passar da idade, que cada vez mais somos interligados, numa força deslumbrante que vem de cima e que acontece aqui neste plano, sabemos que nada é ao acaso, inclusive encontros de amores improváveis.
A intimidação está apenas dentro de nós mesmos quando atingimos alguma plataforma de caminhada e não conseguimos saltar à frente.
Estamos num percurso inquietante de estar ligados à materialidade da forma física e, assim sendo, desligados, por certo, de questões mais …

INTENSIDADE

Intensos olhos, pesquisa, ventre de cor, que derramando, vai regateando, solavancos, dentro, alma afim. Olhar de procura, transtorno, psiquê, in-solução. Representação, imagem, viagem de tempo, espaço de calor, intensidade. Verdades incoerentes, decência de existir, realização de sonho, toque pessoal, inflamação de alegria. Pesquisa de útero, lábios atentos, folhagem intensa, vibração. Gavetas fechadas, intensas certezas, conteúdo inerente, coerente, dissolvente, grama-cor-estar. Naturalmente, verde folha, vibrante desejo, pano redondo, olhar de caju. Solavanco discreto, tormento completo, restauração intensa, reorganização. Fagulhas desleixadas, tomadas, largadas, navegante contorno, água, rabiscos, subida. Trancafiados, aventura de alma, molhados de brisa. Perdidos, achados, intocados, intensos.
Vanize Claussen 13/10/2015


ADORMECIDOS

Os galhos, os talos, os cheiros, discretos temperos de cor e de paz. São pedaços, percalços, retratos de vida que breve estão. Passagem, cor, vapor de sonho, contato de luz. Romãzeira na janela, espera de fruto, contato com terra, adormecida nota de espera. Felicidade no prato, comida, salada, família,  amor. Sons passarinhais, cantantes desejos, viagem de luz. Nevoa que chega, esfriando memória, de sabores inexatos, intacta hora, dos adormecidos da vida.
Vanize Claussen 13/10/2015

IMPERMANÊNCIA

Os átrios abertos, na solicitude de ir, sem destino, nalgum lugar, além daqui... Encantos entremeados, de natureza, singeleza de coração. solfejos discretos, de alma. Energia de cores, insubstituíveis, de velocidades, intangíveis neste plano, aqui. Mas,  dentro, percepção, verdade, harmonia, alegria, de estar presente, sem mutações, ainda. O tempo, enriquecendo, somando  pensamentos, soltando  argumentos, naturais, natureza de ser. E no abraço, do contato, de toques discretos, solicitude de alma, certeza da calma, em estar a caminho de algum lugar, bonito. Fotografias, de tempos, de folhas, de solturas, apenas captar, imagens, impermanência, continuidade, certeza de ir, um dia, para casa. E na ruptura, certeza de presença, ainda viva, de imagem, de lembrança, de volta, de ida a algum lugar: tão perto e distante, tão pesado e leve, tão tudo e nada! Discreto som, emanação, vibração, almificação, ebulição, tormenta alegre, estar e não estar. Seguir o fluxo, o destino, as águas,

ESPIRITUAL

Suavidades, levezas, amplitude, realização, certezas, claridade, harmonia, integração. Voar, subir, renascer... Entendimento, alma, limpa, amor.
Vanize Claussen 11/10/2015




SALIVA LOUCA

Nas iluminâncias da vida, derivo o toque do verso, nas entranhas da folha, que aquece as palavras, dissolvendo do ar infame, dos versos,  outrora doídos, inseguros e doentes  de amor, de amar inconsistente, aquele beijo demorado, alado, que saltou escorregadio dentro de minha boca. Daquela saliva louca, paixão de línguas quentes, a se beijar ardentemente, ali, naquele ermo da rua vazia. Fulgurou-se naquele instante, tremenda letargia, tremendo experimento a crepitar dentro, espaço de cabeças, em cima, embaixo... Mente fervilhando, em miúdo ralando, tomando, acontecendo... Nada jamais sonhado, preparado, porém um verbo de dor, num clamor do passado, fugir dali. No presente, estar sedenta, sedento da água de dentro, alma. Na passagem, apenas, sumir arrediando-se, soltanto atrás os versos prometidos, não resolvidos, dissolvência de tua voz. Ah! Passagem! Truciante desejo de não poder mais ficar! Ah! O amor de línguas quentes! Na vertente esguia, apenas ficar. Tempo que foi, tempo que vem e vai, mas a luminosidade, volta em segundos ao espaço…

DIZERES