SALIVA LOUCA


Nas iluminâncias da vida,
derivo o toque do verso,
nas entranhas da folha,
que aquece as palavras,
dissolvendo do ar infame,
dos versos,
 outrora doídos,
inseguros e doentes 
de amor,
de amar inconsistente,
aquele beijo demorado,
alado,
que saltou escorregadio
dentro de minha boca.
Daquela saliva louca,
paixão de línguas quentes,
a se beijar ardentemente,
ali,
naquele ermo da rua vazia.
Fulgurou-se naquele instante,
tremenda letargia,
tremendo experimento
a crepitar dentro,
espaço de cabeças,
em cima, embaixo...
Mente fervilhando,
em miúdo ralando,
tomando,
acontecendo...
Nada jamais sonhado,
preparado,
porém um verbo de dor,
num clamor do passado,
fugir dali.
No presente,
estar sedenta, sedento
da água de dentro,
alma.
Na passagem,
apenas,
sumir arrediando-se,
soltanto atrás
os versos prometidos,
não resolvidos,
dissolvência de tua voz.
Ah! Passagem!
Truciante desejo
de não poder mais ficar!
Ah! O amor de línguas quentes!
Na vertente esguia,
apenas ficar.
Tempo que foi,
tempo que vem e vai,
mas a luminosidade,
volta em segundos
ao espaço de nós dois.
Breve destino de almas afins!

Vanize Claussen
05/10/2015




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