GOSTO DE CAFÉ

É como se 
os pratos molhados,
solidificassem
as entranhas...
escorrendo assim,
as certezas.
O caminho nublado.
O caminhante,
ainda inquieto,
construindo sonhos doces.
O cortejo, enfim...
Casamento de ideais,
enluamento prateado,
colado ao pescoço do dedo.
Enquadramento,
porém,
as asas deles,
atentas,
voo individual,
lado a lado,
acontecendo real.
Os contornos exatos,
abertura plena,
toque infinito
de uma claridade:
estupenda,
umidificada.
Dantescos experimentais
enredos,
pinturas solidificadas
ainda inacabadas,
construções estruturais
seladas no olhar.
No passado,
montanhas íngremes
escorriam...
Agora,
planície,
saborosas realizações,
declarando corredeiras.
E nas intensas
subterrâneas águas mornas,
quase ferventes,
o saboroso
gosto de café,
espumando na boca.

Vanize Claussen
15/08/2017


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