sábado, 8 de dezembro de 2018

NATUREZA

A chuva,
lascada espera
de inóspitas certezas.
São percalços de água,
molhando a terra,
lavando a vida.
A canção delicada
desenvolve ritmo,
discreto.
São gotículas minúsculas,
descendo e sopradas,
antes pelo vento,
nas direções variadas.
As folhas das árvores,
recebem em sua seiva,
a essência preciosa,
a água.
Os pássaros assoviam,
cantarolando,
incertos,
seus piados variados.
A natureza respira,
apesar do frio,
ela serpenteia gigantesca
as nações do mundo.
Sobrenatural,
caminha de acordo
com seu clima.
Aqui ficamos,
observando a beleza.

Vanize Claussen
08/12/2018


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

SALVE, SALVE

Nos arredores do mundo,
infalível está
o vento soprando.
É canção exalando
dentro,
o universo de fora.
Os mares,
as montanhas.
as luzes e cores,
vão arrefecendo,
vão tornando-se
paz.
Já não há 
encontros, 
nem despedidas,
somente o caminhar
dos dons emitidos,
restaurados no âmago.
A fortaleza fulgaz,
deslumbra
na fragilidade 
da criação.
Então,
o pensamento,
como que ressabiado,
apenas observa
as estações.
Salve, salve...
a primavera chegou!

Vanize Claussen
02/11/2018




quinta-feira, 11 de outubro de 2018

O CAMINHO


A terra vai invadindo
os sapatos molhados,
rotos avermelhados.
No chão,
o pó.
Ao redor,
a brisa passeia,
serpenteando migalhas.
O pão,
antes amanteigado,
respira dores duras,
fagulhas no ventre,
corredeira insana.
Os pés,
crepitando,
na vulgar infantaria,
sobrevoa os anéis
das imagens paralisadas.
A madrugada,
debruçada sobre a terra,
acorda o corpo traçado
das inquietas certezas,
ainda que tardias.
O caminhante adormece,
sua alma evapora.

Vanize Claussen
1/10/2018









A COZINHEIRA



 Pedra, pedra,
sementeira,
pedra e pedra
na carreira da pedra,
uma soleira.
Esvazia a chaleira,
a cozinheira
e senta na pedra da soleira.
A pedra da carreira,
solteira.
Que saudade,
da avó cozinheira,
sentada na pedra dura
da soleira!

Vanize Claussen
01/10/2018


quinta-feira, 20 de setembro de 2018

A PRATELEIRA

Momentaneamente 
observo...
percebo nas inscrições,
sadias fontes de essência.
Cada olhar,
uma alma.
Cada vagão,
uma multidão apertada.
As estreitas passadas,
rotas,
rumo a labuta,
vão enrubescendo,
entortando os sabores
da alma livre.
Mas,
na razão do amor,
uma conexão
de labores interiores.
Os pedaços,
as mãos,
a cabeça,
o aconchego do filho,
que no encharque
da vida,
incendeia o coração de paz.
O esfuminho,
ainda que esticando a cor,
vai trazendo novidades,
vai mostrando tonalidades,
onde o encontro,
navegante inquieto,
emociona os corações.
A criação arremetendo,
na luz dos estilhaços,
o afeto encontrado.
Na divagação,
ainda inconstante,
o nevoeiro vai saindo
e a centelha divina,
antes perdida,
se torna plena
como um cristal.
Na prateleira,
apenas sorrisos
e gratidão.

Vanize Claussen
20/09/2018



sexta-feira, 14 de setembro de 2018

PASSAGEIROS

As cores,
inebriadas solturas,
de luz incandescente,
realinham,
no mar de idéias,
 o caminho veloz.
Vermelhando
na estação 
do tempo,
imagino estrelas
num brilhante cristal,
dissolvendo e clareando.
Os passageiros azuis,
iluminados de etéreas
verdades,
vão soltando 
os tijolos imaginários.
No movimento,
as canções amareladas,
deslizam 
notas musicais,
na altura 
dos ouvidos infantis.
E dentro do túnel,
branco de neve,
vou levantando vento.
E as folhas alaranjadas,
remoídas num redomoinho,
vão espalhando paz.
O outono,
esverdeando saliências,
transmite seu jeito
primaveril incandescente.
A água,
entorna tudo,
e a areia da praia,
recolhe os despejos
floreados pela humana idade,
na existência dos corais
mais antigos.
Somos os passageiros
de todas as cores,
que navegamos no voo
da vida colorida.

Vanize Claussen
14/09/2018





quinta-feira, 30 de agosto de 2018

O POEMA

Os músculos
na alteração
da imaginação,
vão volatina-mente,
estupefatos de brisa,
regendo a orquestra.
Os movimentos,
tais como brilhantes,
enevoam a imagem
da fotografia,
onde o começo
paralisou no 
voo rasante
das ideias geniais.
As notas musicais,
agora rotas,
qual partitura antiga,
sobrevoam o olhar,
enigmaticamente ao ar.
As imagens se fundem,
confundem,
e momentaneamente
se dirfarçam
como uma
pintura impressionista.
O tempo,
magicamente paralisado,
discorre líquido
pelas veias,
artérias do amor.
Os celulares,
já não tocam.
Os computadores
desligaram-se.
O poema tomou vida.
Onde é o começo?
Onde é o fim?
Eletricamente
e num repente,
voltou a luz.

Vanize Claussen
30/08/2018



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