Aos anseios de meu corpo,
brisa.
Aos anseios de minha alma,
calor.
Como num mover-se
de sacolas ao vento,
vou debulhando-me
nas esteiras estendidas.
Vou sacudindo o pó
dos meus ombros
e pernas.
Meu corpo,
limpando-se,
vertendo-se
a margem do riacho,
onde canta
o passarinho azulado,
dentre as folhas
do fedegoso.
A névoa
vai trazendo o frio,
e o corpo,
centelha,
reflete silêncio.
Já não aqueço,
porém não esfrio,
reflito o vazio de ser
nas intercessões desse tempo,
nesse templo corpo/alma.
Vou adestrando,
consumindo,
olhando,
recebendo,
aderindo,
colocando,
dissol...vento...
Pés descalços,
vertidos na terra molhada,
olhando a mata reluzente,
na certeza de voltar.
As mãos respiram,
jogadas ao alto,
como pétalas,
numa dança infinita.
Sou semente
e transbordo reluzente,
feito borboleta colorida
saido de seu casulo.
Agora o tempo chegou!
Sigo o caminho
das noivas de branco,
e com margaridas
no cabelo e mãos,
concebo o amor
que me tocou
desde de o início.
Agora sou luz,
ilumino paisagens,
com meus pincéis
abstratos.
Sou o ato e o fato.
Estou dentro,
Estou fora.
Aqui e ali,
faço e desfaço.
Apenas movimento
a vida.
Vanize Claussen
24/08/2026
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