segunda-feira, 24 de agosto de 2026

MOVIMENTO

 Aos anseios de meu corpo,

brisa.

Aos anseios de minha alma,

calor.

Como num mover-se

de sacolas ao vento, 

vou debulhando-me

nas esteiras estendidas.

Vou sacudindo o pó

dos meus ombros

e pernas.

Meu corpo,

limpando-se,

vertendo-se

a margem do riacho,

onde canta 

o passarinho azulado,

dentre as folhas

do fedegoso.

A névoa 

vai trazendo o frio,

e o corpo,

centelha,

reflete silêncio.

Já não aqueço,

porém não esfrio,

reflito o vazio de ser

nas intercessões desse tempo,

nesse templo corpo/alma.

Vou adestrando,

consumindo,

olhando,

recebendo,

aderindo,

colocando,

dissol...vento...

Pés descalços,

vertidos na terra molhada,

olhando a mata reluzente,

na certeza de voltar.

As mãos respiram,

jogadas ao alto,

como pétalas,

numa dança infinita.

Sou semente

e transbordo reluzente,

feito borboleta colorida

saido de seu casulo.

Agora o tempo chegou!

Sigo o caminho 

das noivas de branco,

e com margaridas 

no cabelo e mãos,

concebo o amor

que me tocou 

desde de o início.

Agora sou luz,

ilumino paisagens,

com  meus pincéis

abstratos.

Sou o ato e o fato.

Estou dentro,

Estou fora.

Aqui e ali,

faço e desfaço.

Apenas movimento

a vida.


Vanize Claussen

24/08/2026







Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

ANOITEÇO