quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

O POETA

 

O poeta é um deglutinador de ideias,

ele arranca de sua alma,

tudo que antes não era,

trazendo com muita calma

para as linhas do poema.

Então o que falar de Quintana?

De Clarisse?

De Cecília?

De Pessoa?

O poeta é um deglutinador de ideias.

Sua palavra percorre o mundo

como a gaivota que voa leve

pelos ares da praia indecisa,

onde as ondas não sabem

se  vão ou ficam.

Sua palavra está viva,

mesmo que morra sua pele,

que sua carne desfaleça,

apodreça.

O poeta está vivo

e com pressa renova

os horizontes dos perdidos,

desvalidos,

açoitados,

esfumaçados,

de todos os desprotegidos.

O poeta é amor,

captando com sua alma,

como a borboleta

 pelos campos das flores esvoaçantes,

onde mal nenhum

pode tocar, ameaçar,

pois ele escuta os amantes

e vibra na nota da música

a sinfonia mais pura

do êxtase de um beijo enamorado.

O poeta é um deglutinador de ideias,

esquecidas para muitos,

ele acha o caminho,

devagar, devagarinho,

vai salpicando na folha,

seu pensamento,

emprestado pelo vento

da imaginação,

sorrateiramente,

invade o leitor,

aquecido de imagens.

Assim é o poeta:

Um deglutinador de ideias,

passageiras, talvez,

mas para muitos,

gravadas no coração.

 

Vanize Claussen

10/08/2023






O PLANETA GRITA SOCORRO

 

No começo,

os dentes travavam

nas conjunções dos ribeirinhos,

mas o espetáculo

da vida e do tempo

renascem a cada instante...

e mesmo  que desmatem

o pulmão do mundo,

há de novas sementes brotarem

e se espalharem pelo vento!

Ah! Amazônia querida,

bentida de oxigênio!

Aqui estamos a gritar SOS!

Mas as multiplicações,

errôneas multiplicações,

desobedecem a lei natural

do planeta terra.

Estamos,

Sorrateiramente,

destroçando a terra,

poluindo o ar,

destruindo as matas,

e navegando para o fim.

O Planeta grita socorro,

Sim, ELE GRITA!

Projetos que destroem,

Estão, a cada dia,

Derrubando as matas,

Destruindo o solo,

Entupindo o ar.

Ah! Amazônia querida!

Será que algum humano pode te salvar?


Vanize Claussen

10/09/2023



terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

DE TECIDO EM TECIDO

 O curioso tempo

desbloqueia emoções.

O passado,

enclausurado,

nas vertigens,

se esvai e vibra,

precioso,

nas entrelinhas

do coração.

Sou a chama que bate,

Sou o desejo da fonte,

Sou a estrela dos anseios.

Me estendo

nas aclimatações,

de tantos medos,

esquecidos,

perdidos...

medos de criança,

que não sabe

o que tem, 

no meio do escuro.

Percebo,

nas pequenas pausas,

que o amor

vence todas as batalhas.

Observando,

vou tecendo minha vida,

construindo,

pouco a pouco,

a identidade de ser.

Ainda invoco,

ao magnífico

e ao todo poderoso,

nesse universo infinito,

as certezas de estar aqui,

as incertezas de saber partir,

quando a hora chegar .

O movimento que faço

é igual doce de pote,

ainda se quer mais

para sentir o sabor.

Portanto,

vejo,

nas infinitas cores

de um pôr do sol,

as eternas experiências vividas

e as transformações

a todo vapor.

Também sou o esterco,

que a chuva molha

e faz nascer as plantas.

Sou a folhagem,

a aragem,

a ventania.

Quando preciso,

sou o riso.

Mas,

entre as linhas,

vou de tecido em tecido,

molhando minha alma de brisa,

cantando a arte da vida.


Vanize Claussen

18/02/2025







sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

EXSÓPOLIS, A CIDADE BANDIDA

Eu, Sr. X, ando abismado com tantos anos de dívidas, afinal, hoje em dia, todos devem, não só impostos ao governo, como devem a si mesmos, explicações, o motivo por pagar tantos impostos embutidos e ainda terem que se subordinar aos comandantes em toda terra.
Ora, não fosse o Sr. W, que se dispôs a fazer dívida para construir certa praça nas olimpíadas da vida! Mal não faria àquela cidade, outrora. Porém, com a obsoleta construção em terreno, que não era público, impróprio e próprio a inundações, endividou toda uma população, desde então.
Contudo, os anos se passaram e o Sr. W, já estava, com certeza, no sétimo céu, se assim Deus o permitisse. Então, em um longo período Sr. T, assumindo as terras de Exsópolis. Fazia muitas coisas, principalmente para pessoas do interior, onde ostentava sua exibição de herdades. Não se sabe, nem se viu, de onde tirou toda fortuna, dizem que do jogo dos bichos de seda envolvidos, mas ninguém sabe. Muito menos se ouviu falar sobre a nova propriedade e de tanta riqueza. A verdade é que ele tentou fazer alguma coisa, mas, ao mesmo tempo, havia algo sobre a sua história, ninguém ouviu falar.
Enfim, infelizmente, o tempo vai passando... e vocês entendem: quando uma dívida não é paga integralmente, ela cresce, e cresce de tal forma que pode prejudicar todo um grupo de pessoas quando se trata de uma conta municipal onde existem vários trabalhadores pagando os impostos e os embutidos nas notas fiscais. E, não digo da despesa de uma praça, falo de tantas outras responsabilidades que oferecidas, a nós, na vida, como cartão de crédito, compras por carnê, empréstimos pessoais e outros.
Essa tal dívida pracificada, passou de governo a governo, sabe-se lá quanto tempo, após o ocorrido em mil novecentos e lá vai fumaça.
Ora, até o Sr. J chegar no poder daquela cidadela, não se observava tanto descaso em Exsópolis. Se acontecia, não se ouvia falar pois ninguém ousava. Porém, outros senhores anteriores como o Sr. P, que comandaram aquele povo, também tentaram não ceder a corrupção daquele município, considerado um dos belos cartões postais do Estado de Rir de Januário, porém, percebo que cada um deles, corrompeu, sua parcela na dívida da tal praça.
Os anteriores, e os até aqui, deixaram essa marca consagrada, na corruptiva ideação de fazimento e nada feito. Desde então, para que a tal dívida fosse eliminada, caía, irredutível, nos ombros dos moradores e trabalhadores daquela cidade. Isso continua ocorrendo.
Mas vamos falar do Sr. J que se elegeu com maior número de votos naquele local. O povo acreditou que ele fosse fazer algo inovador pela cidade. Realmente acreditaram na sua postura. Assim sendo, quando assumiu, em onze dias de governo no ano Y, aconteceu a catástrofe em toda Exsópolis. A população se viu num caos infernal, onde, se perderam muitas vidas e poucas computadas pela instituição da Cruz, talvez envolvida no escândalo. E lá se foi o dinheiro que o governo havia mandado para o município, devido tantos desabamentos e enchentes, fora os desabrigados. Uma catástrofe jamais vista naquele local! Dessa vez, o dinheiro transferido para o município, não chegou ao povo, pois o tal assumido chefe desse local, sumiu da cidade, indo morar em outro estado bem longe, onde ninguém o conhecia. E lá, mais uma vez, foi elegido como tomador de conta de dinheiro do governo. Levou todo dinheiro dos cofres públicos de Exsópolis, inclusive o destinado ao caos catastrófico ocorrido na cidade. Foi considerado o pior de todos apesar da altíssima quantidade de eleitores que votaram nele.
Eu, Sr. X, na tentativa de ajudar, vi muitas coisas acontecendo nesse período, como recebimento de cargas de roupas novas e sapatos novos, chegando para as pessoas que perderam tudo, sendo levados por carros chiques ao cair da noite, talvez sendo comprados ou usurpados. Na tentativa de ajudar, saí expelido do local onde as pessoas estavam abrigadas e recebiam dia a dia material de todos os lados. Chegavam os tais do governo, para simplesmente tirarem a população que queria ajudar, e colocar de escanteio quem realmente estava na intenção do bem. Claro, tinha alguma coisa envolvida. Só não fui escorraçado porque percebi e me retirei naturalmente, deixando o devido, a quem pertencia.
E, essa saga, ainda não terminou! Após a saída desse tal Sr. J, o tal Sr. A assumiu o comando daquela população. Assim sendo, começou pelas beiradas e foi adentrando os orçamentos públicos, queimando em picadilhos, o pagamento dos que eram concursados. Trabalhavam naquela cidade, afincamente, dando tudo de si e perderam o gosto. Assim, esmiuçando, os pagamentos dos cofres públicos foram dissolvidos em prestações infinitas ao bolso daqueles que tinham direito a receber integralmente. Foi rechaçado e saiu do palco. Mas, ao sair da casa do povo, descobriu-se o tanto de dinheiro envolvido, em terras compradas e animais, das mais variadas espécies, exóticos, trazendo de todo lugar, para seu novo investimento de um zoológico nas terras do interior da Serra de Ó.
Ao acontecer novas eleições depois de tanto descaso, novo comandante entrou. O Sr. V, dizendo amar muito a cidade de Exsópolis, inicialmente, parecia estar realmente trabalhando para a população. Com o passar dos anos e reeleito, começou a mostrar-se. Então o município, que parecia estar sendo regido por alguém competente, do mundo empresarial, foi entrando em desatenção, novamente. Ao sair, deixou mais dívidas e os funcionários públicos sem seu precioso dinheiro para o Natal, o décimo terceiro pelo ralo. Zerou assim, qualquer situação de benefício que, por acaso, possa ter feito.
Mas, eu Sr. X, percebo, diante de tantas observações e experiências, como funciona o povo gado mundial: seguindo a manada. Formam um circuito de aceitação, em sua maioria, não respirando a libertação dessas incoerências governamentais. Por isso acredito, no escritor, libertador de muitos mundos interiores e exteriores; e também me afianço no leitor, que evolui e entende a hora certa de agir e gritar.
Depois da saída do Sr. V, mais um assume a cidade de Exsópolis. Todo pomposo, o Sr. L, acabara de deixar um outro cargo de alto escalão para lançar como comandante geral, achando que seria bem fácil. Mas o povão e povinho e todos os envolvidos, sem receber o décimo terceiro, mais atentos estavam, e ficaram de olho de boi, sobre seu governo.
Então, Sr. L, começou a ver, as tantas, dificuldades e tentativas dos anteriores governantes e como sucumbiram. Tentava dizer que era bom, conseguindo a quantia para pagar os funcionários, não se sabe aonde, pois o dinheiro tinha sido sequestrado e até acusaram o antigo governante, que não sabemos onde meteu sua cara de pau. Alguns disseram, que o Sr. V fugiu, outros falaram que foi morar em outro país, mas nem apareceu para passar o cargo, outro descaso, apesar de ser possível em lei. Talvez seja devaneio meu, portanto “quem não deve não teme”.
Porém, para pagar o mês dos funcionários públicos, o Sr. L fez o dinheiro aparecer. De onde? E logo, reunindo alguns, resolveram que o tal dinheiro do Natal seria dividido em dez vezes para os funcionários e aposentados. Que desconsideração! O dinheiro, completamente defasado, devido a inflação que nunca termina neste país Brisa.
Eu, X, sendo apenas mais um morador de Exsópolis, me pergunto quando a cidade bandida será remida de seus pecados?
Mas a negligência é tanta destes comandantes! Agora uma tal verba federal enviada a projetos artísticos, sumiu. Como isso é possível? Quem pegou a tal grana do governo federal, destinada aos ganhadores da tal lei AB? Os projetos foram elaborados e cada um se empenhou dando o melhor de si para conseguir a classificação. Seria negligência do governo ou o quê?
Fica aqui uma pergunta: Porque querem mexer com a classe dos artistas? Não sabem? Esse pessoal que faz a cultura acontecer vai gritar até ser esclarecida e resolvida a questão. Muitos dependem desse dinheiro para viverem. Uma auditoria sobre esta cidade que virou Exsópolis, pelo descaso de tantos, é o que tem de ser feito.
Eu, Sr. X, declaro que a impunidade deve ser buscada, a qualquer preço. Também declaro: não faço e nem quero fazer parte de uma manada levada e lavada, desde o ferro e fogo, até as conspirações incrustadas na pele de muitos, como marcas tatuadas. Portanto, desejo a todos um excelente dia, pois estou indo fazer a auditoria das peças que não foram encaixadas.
Vanize Claussen
14/02/2025
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       Vanize Claussen 

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

TEMPORALIDADES

O tempo aquece,

     estremece,

dentro.

Vou cantando 

as orações,

vou debulhando

as canções,

assim,

imaginando

soluções.

Dentro,

está aquecendo.

Um vôo mais alto,

talvez.

Decresço...

mas observo.

Estar acima

é como estar abaixo

e vice-versa.

As pontes são longas,

as possibilidades infinitas.

Arrumo meu semblante

de brisa leve

e vou saindo 

das interlocuções alheias.

Prossigo e sigo.

A estrela é o destino

de olhar o céu e viver a vida.

Só agradeço,

nas temporalidades,

agradeço.


Vanize Claussen

05/02/2025



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